domingo, 19 de outubro de 2008

O relogio

O relógio está parado e é como se o tempo tivesse realmente desaparecido, pois está tudo quieto e silencioso aqui.
Sinto falta da sua batida, ela fazia com que me sentisse vivo, com vontade de viver. Ele lembrava com o seu tic-tac o tempo passado e aquele que ainda tenho para viver. Sofria e era feliz com isso.
Agora estou preso nessa imensidao branca, pálida, vazia. Nesta casa amarga que perdeu seu coração, o seu motor, que batia aqui dentro fazendo tudo ganhar vida.
Os moveis agora parecem nao ter serventia. A cozinha é apenas mais um lugar para se estar, mas sem sentido, sem lógica. EU QUERO O MEU RELÓGIO.
AS janaelas... bem, elas talvez aliviem um pouco todo esse sofrimento, pois irá me mostrar em que momento estou, de dia ou de noite, sabe-se lá Deus!
Mas não, a janela não ajuda em nada. Neste apartamento a vista é uma porcaria. Dou de cara com outros prédios; nenhuma mata, só carros, motos, barulho de buzina. Oh vida! Queria tanto o tic-tac regulando os segundos por mim.
No entanto, o dia permanece mudo.
Nenhum telefonema, nenhum canal de televisão, nada me auxilia a matar essa amargura que é ficar preso num bloco sem vida, como se a eternidade tivesse chegado mais cedo para o solitário em questão.
Quero me deitar em lencois macios e lá ficar, dormindo, até a chegada de um novo dia... um dia em que vou poder mandar consertar meu relógio, dar sentido novamente para o lugar que chamo de casa.
Ai, o amanha...

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